A elaboração do novo Regulamento Geral para o Campeonato Brasileiro de Motocross 2012 teve início em outubro, na etapa sul-mato-grossense da competição nacional. Horas de conversas por telefone entre a comissão designada pela Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM) e membros da Associação Brasileira de Pilotos de Motocross (ABPMX) resultaram na base para as novas regras.
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O BRMX convidou Firmo Alves, presidente da CBM, e Paulo Della Flora, diretor da comissão de motocross da CBM, para comentar as principais alterações apresentadas no Regulamento Geral 2012. Entre as principais alterações estão os ajustes da idade mínima para a categoria MX3 – que volta a ser 35 anos – e a máxima para a MX2 – que passa a ser 23 anos.
– Voltamos a idade mínima da MX3 para nascidos até 1977 e da MX4 para nascidos até 1972. Foi uma alteração necessária. Na MX2, a idade máxima passou a ser 23 anos para nos adequarmos às regras da FIM (Federação Internacional de Motociclismo). Era incabível o Brasileiro de Motocross ter um campeão na MX2 que não poderia competir na mesma categoria em um GP Brasil por estar acima da idade permitida – comenta Firmo Alves.
O novo regulamento também prevê o fim do ponto extra para o piloto que registrar o melhor tempo nos treinos cronometrados e eliminou o descarte do pior resultado para compor a classificação final.
– O treino cronometrado serve para o piloto acertar a moto e se concentrar nas baterias, mas estávamos vendo uma competição paralela que iria acabar machucando alguém. Assim, optamos pelo fim do ponto extra – esclarece o presidente.
A CBM passará a realizar o controle de ruído após cada prova, quando poderá escolher aleatoriamente algumas motocicletas para serem aferidas. O limite será de 102 dB/A, prevendo penalização de 30 segundos somados ao tempo de prova para o piloto que ultrapassar esse valor. Para verificar a emissão de ruído, a entidade deverá investir até 4 mil dólares na compra de dois decibelímetros, segundo Paulo Della Flora.
Há, porém, um fato conflitante e que foi levantado pelo BRMX. Em julho, a FIM apresentou sua “normatização técnica para a harmonização do motocross” com a AMA e que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2012. Nela, a emissão de ruído após a corrida ficou determinada entre 116 a 178 dB/A – com variação de distância entre um e dois metros para a medição. Se a proposta é se adequar às regras da FIM, por que existe essa diferença?
– Na verdade, não tínhamos o conhecimento dessa determinação da FIM e encontramos dificuldades em determinar um limite para o ruído. Vamos avaliar essa informação e, caso for necessário, criaremos um adendo na regra para corrigir o valor e nos adequarmos ao que prevê a FIM – aponta Della Flora.
KTM de Ken Roczen passa pelo teste de ruído durante a etapa de Glen Helen do Mundial MX FIM - Foto: Youthstream / Divulgação
O novo regimento também regulamenta a contratação de pilotos estrangeiros, determinando que para cada piloto vindo de fora do país, a equipe tenha outros dois atletas brasileiros nas mesmas condições técnicas e de equipamentos.
– Essa foi uma exigência da ABPMX e, particularmente, acredito que ela não deveria existir. Porém, aceitei por se tratar da forma democrática com a qual quero conduzir a CBM – comenta Firmo.
O presidente continua sua explicação:
– É fato que os pilotos brasileiros não estão no mesmo nível dos estrangeiros e a vinda destes para o país seria a forma mais barata de nossos pilotos aperfeiçoarem suas técnicas. Isso seria algo perceptível em médio e longo prazo. Mas, realmente, trata-se de um assunto complexo – conclui.
Outra novidade para a próxima temporada é a separação das categorias MX4 e Nacional 230cc, agora fazendo parte do Campeonato Brasileiro de Motocross Amador juntamente com as categorias 50ccA, 50ccB, MXF (feminina), Intermediária e MXJR. Permanecem no Brasileiro principal as categorias 65cc e MX3, ambas com provas aos sábados, e MX1, MX2 e 85cc com provas aos domingos.
– Nossa intenção é valorizar o piloto amador criando um campeonato separado e no qual iremos trabalhar com a mesma qualidade do profissional. Daremos aos amadores condições semelhantes de visibilidade na mídia e a atenção que a competição merece. O Campeonato Brasileiro Amador será realizado em um fim de semana prolongado, que se iniciará na quinta-feira e se estenderá até o domingo. É um formato baseado em outras modalidades, como o Latinoamericano de Kart. Para o piloto participar desta competição, porém, ele deverá apresentar um bom aproveitamento no ranking do campeonato em seu Estado – explica o gestor da CBM.
Quando questionado sobre os patrocinadores que devem garantir a realização do campeonato nacional em 2012, Firmo Alves confirma que a competição já está viabilizada financeiramente. Porém, ele evita em citar as marcas envolvidas.
– Existem alguns patrocinadores que sinalizaram positivamente sua participação no campeonato, mas pediram sigilo, outros também se mostraram interessados, mas ainda estudam sua entrada na competição. O fato é que não assinei contrato com qualquer patrocinador, por isso, não posso dar nomes confirmados – argumenta.
Para encerrar, um elemento do Regulamento Geral acende a luz de alerta para a possível repetição de uma experiência que desagradou grande parte dos envolvidos com o esporte há poucos anos. O item 3.5 do documento prevê a possibilidade de homologação do campeonato como monomarca para “motos, pneus e demais componentes e equipamentos” que devem ser “divulgados com, no mínimo, 15 dias antes do início do campeonato”, ou seja, até 18 de fevereiro de 2012.
– Mantivemos esse item no regulamento com um intuito benéfico caso haja, por exemplo, alguma empresa de combustível que queira fornecer seu produto aos pilotos. Não existe a possibilidade de se repetir o erro que ocorreu anos atrás com a questão dos pneus – justifica Della Flora.